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20201002Profil

    O trabalho de Betty, antes de tudo, é uma tentativa de fusão entre a memória e a invenção. A cada vez que representamos uma paisagem ou a natureza, evidenciamos a diferença entre algo que existe e algo que é percebido. Através de um deslizamento semântico, esta paisagem natural percebida se integra de maneira intensa na paisagem emocional das memórias da artista, e os elementos que aí se compõe são transpostos numa cartografia pictórica pessoal e simbólica.

    

    A paisagem é reinventada e abre a cada olhar sua composição intersticial, por meio de formas que se sobrepõe e se somam. Como diz Michel Corajoud: “Em uma paisagem, a unidade das partes e de suas formas vale menos que seus excessos; não existem contornos definidos, cada superfície se move e se organisa de tal maneira que ela se abre essencialmente ao exterior”¹.      

    A presença do “aleatoricism” se insere de modo recorrente no processo da artista. Ela faz uso de técnicas diversas tais como aquarela, caneta, nanquim e tinta acrílica. Os desenhos acabados resultam do gesto intuitivo sempre em busca de um equilíbrio entre a espontaneidade, o controle e a observação precisa. Nas paisagens de Betty, a representação do homem nao se faz necessária: ele já aparece aí como um cocriador da natueza.

        

     Betty nasceu em São Paulo e viveu grande parte da sua vida no Rio de Janeiro. Ela tem uma formação em Desenho Industrial pela PUC/RJ e uma formação artística pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, também no Rio de Janeiro.  Atualmente vive e trabalha em Paris.

 

1. CORAJOUD, Michel, Le paysage, c’est l’endroit où le ciel et la terre se touchent. La théorie du 1 paysage en France : (1974 - 1994) - Champ Vallon, 2009; tradução nossa.

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